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30.3.13

 

O telhado de vidro e o dicionário.


Vocês lembram do escândalo nacional daquela vereadora, Ana Maria Holleben (PT-PR), que praticou o crime de auto-sequestro no início do ano? Pois bem. Embora tenha sido presa em flagrante, agora ela está em liberdade, atuando na câmara, recebendo salário, dizendo que está em depressão e, pasmem: está com tempo até para ironias como processar o humorista Diego Castro por "crime contra a honra" (vide vídeo que a inspirou). HONRA?! Mas o que é HONRA para alguém como a tal vereadora? Instigada, folheio o dicionário e percebo que os significados de HONRA são exatamente contrários aos crimes cometidos por Ana Maria (segundo a Polícia: auto-sequestro, falsa comunicação de crime, fraude processual, formação de quadrilha):

HONRA = SENTIMENTO QUE LEVA O HOMEM A PROCURAR MERECER E MANTER A CONSIDERAÇÃO PÚBLICA. PESSOA QUE POR TALENTO OU VIRTUDES ILUSTRA A CLASSE, A INSTITUIÇÃO, O PAÍS A QUE PERTENCE.
É enojante que a classe política, representada muitas vezes por criminosos, faça com que a Polícia e o Judiciário percam ainda mais tempo com seus feitos inescrupulosos, a fim de calar a voz de humoristas, que embasam-se na verdade dos atos incivis desses servidores, passíveis de análises de qualquer ordem, de qualquer cidadão. Processos instaurados contra humoristas por políticos/criminosos, evidenciam suas mentalidades retrógradas que remetem aos tempos de ditadura e jamais mudarão a opinião pública sobre a própria desonra diante de seus eleitores, depois de tê-los feito de palhaços. Ademais, vivemos num país supostamente democrático, onde quem faz merda e ocupa cargo público é, senão preso, ao menos alvo das críticas, do desgosto, do repúdio, que podem ser expressados legalmente, segundo consta no artigo da Constituição Federal, que versa sobre as liberdades de pensamento e expressão, independentemente de censura ou licença. Então, sem licença, Ana Maria: repudiamos sua atuação, seus discursos petulantes, crimes. Coisas de quem não tem vergonha (vide dicionário: sem-vergonha), de quem acha que pode praticar crimes e se safar (vide dicionário: safada), como disse Diego Castro com tanta propriedade e representatividade pública no vídeo que inspirou o processo.
Fico feliz porque este humorista teve a coragem e a decência de bradar o que todo o cidadão de bem gostaria (eu mesma, sou uma cidadã de bem!). E no fim das contas, o que a requerente vereadora Ana Maria conseguirá com seu processo? Algo como um tiro no pé, ou seja, um baita holofote sobre as próprias cácas, sobre sua desonra por ela mesma esculpida com esmero. Por outro lado, a carreira de Diego Castro será alavancada, pois processos políticos na vida de humoristas ilustram currículos brilhantes, são estrelinhas tilintando na farda. (Lembremos de Jaguar, Ziraldo, Millôr...). E nesse caso, Diego representa a voz do povo, que é voz de Deus. E Deus certamente não gosta de gente que se auto-sequestra, que forma quadrilha, faz fraude processual e falsa comunicação de crime para o grupo T.I.G.R.E. da Polícia Civil. Penso que se Ana Maria vivesse dentro dos preceitos do código Samurai e manchasse a sua honra como o fez, ela deveria cometer o Seppuku, suicídio ritual com a própria espada. Mas longe de incitar um suicídio, tenho sugestões mais plausíveis para ela como por exemplo: por quê Ana Maria não compra um biquíni de bolinha amarelinha, vai curtir uns tubos em Matinhos, toma uns Prozacs com Martini por uns 26 anos e se poupa dessa previsível humilhação? 
Esse episódio lamentável lembrou-me outro que aconteceu, coincidentemente na mesma data de 2010, com o comediante também ponta-grossense, Fábio Silvestre (o Bigode da Praça é Nossa), que recebeu na câmara dos vereadores de Curitiba o "Prêmio Cultura e Divulgação", a mais alta comenda da cidade para um artista.
Um dia antes da homenagem, Fábio Silvestre fez uma piada genérica sobre política em seu show "O Bêbado", onde o vereador Roberto Aciolli fazia parte da plateia e sentiu-se ‘encarapuçado’ pelo chiste. No dia seguinte, esse vereador tentou difamar Fábio em seu programa (190 da CNT) usando fotos do ator enquanto proferia adjetivos ofensivos, além de afirmar no Twitter que "Fábio Silvestre não era digno de entrar na Câmara de Vereadores e receber o prêmio Cultura e Divulgação". Pegou mal para o vereador. Muito mal.
Fabio Silvestre foi até a câmara dos vereadores de Curitiba para receber seu prêmio e foi o homenageado mais aplaudido da noite. Mas antes disso, o digno ator leu seu discurso sobre censura e liberdade de expressão. Fotografei a página do discurso para registro histórico e eis que ele nos serve de exemplo, exatos três anos depois, para o caso da vereadora Ana Maria, que teve a insolência (ou insanidade?) de instaurar um processo contra o humorista Diego Castro. Que sirva a carapuça e que batam as luvas de pelica nas alvas bochechas de Ana Maria, que insistem em jamais avermelharem-se. Segue:
*Na época o vereador Aciolli, foi rechaçado por centenas de mensagens do público e de humoristas de todo o país. No Twitter, lembraram até que ele é acusado por homicídio. Depois de todo o escândalo Aciolli calou-se, mas não sem antes admitir ser fã de carteirinha de Fabio Silvestre. Quem tem telhado de vidro não deve atirar pedras, não acham?
Postado por Pryscila, diretamente de sua casa com telhado de goiabada.

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