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7.3.13

 

Dia Internacional da Mulher



Chegamos a mais um Dia Internacional da Mulher. E percebam a ironia: pela primeira vez no Brasil, temos uma exposição de "Real Dolls", aquelas bonecas feitas à imagem e semelhança das mulheres de verdade. Nesse evento, a "virgindade" de uma Real Doll chamada Valentina, está sendo leiloada com lances que já chegaram aos R$ 100.000,00. Depois de perder a virgindade, Valentina será úma garota de programa.
E vamos combinar que muitos "homens" já sonharam com uma mulher que não fala, não pensa, é obediente, linda e disposta a uma relação sexual mesmo após ele ter devorado um quilo de cebola com cerveja barata.
Essas Real Dolls são montadas ao gosto do freguês. Por exemplo: peito grande, unhas vermelhas, ruiva, pentelhos encaracolados e com o orifício que se tem direito, que no modelo padrão é apenas um. Caso o cliente queira mais, é acrescentado um valor extra para cada um. A versão luxo vem já dotada de três orifícios.
Como elas suportam até 300 graus centígrados, recomenda-se esquentar um pouquinho a boneca para que ela exale um pouco de calor humano. Além disso, suportam até 300 quilos, não têm cheiro, são impermeáveis e boiam, o que quer dizer que ela pode até salvar o proprietário de um naufrágio.
Tudo isso é uma chocante novidade no Brasil, mas em alguns países como os EUA e o Japão, os homens já conseguiram na justiça o direito de casar com essas bonecas.
E o que isso significa? Para mim, a abissal distância de comunicação entre homens e mulheres que exprime o fracasso dos relacionamentos que deveriam ser baseados na verdade, em que casais conversam, olham-se nos olhos, fazem planos para o futuro, têm filhos ou não, amam-se e fazem amor. Também brigam, discutem a relação, soltam gases e arrotam na frente da sogra. Mas isso é a real life, e não a vida ao lado de uma Real Doll.
Percebendo essa triste tendência e eu mesma passando por um relacionamento fracassado por falta de comunicação, criei a personagem Amely, em 2005. Saquei que as mulheres infláveis competiam com as mulheres infalíveis (as de verdade). Então, terminei o "relacionamento" e adotei um papagaio para conversar comigo enquanto não arrumasse outro parceiro que gostasse de discutir a relação quando necessário. E logo fui para a prancheta praticar a vingança da pipoqueira: criei uma boneca que falava e pensava como qualquer mulher de verdade.
Assim nasceu Amely, a primeira vista tão sexy e calada, mas que suplicou por voz tal qual Pinóquio ou Emília e que não quer ser reconhecida apenas pelo que aparenta ser: um objeto sexual. Gostosona? Sim, ela é. Mas é muito mais. Ela quer amor, olhos nos olhos, trabalho, estudo, filhos ou não, soltar gases, arrotar na frente da sogra como qualquer mulher de verdade faz. Sua própria existência já significa a "desobjetificação" da mulher.
Nessa data, cuja origem os próprios historiadores mal entram em consenso, e muito menos eu vou inventar mais teorias, vamos homenagear as mulheres reais que admiramos pela beleza muitas vezes não tão evidente aos olhos, mas pelas belezas de sua força e de sua verdade.
 
Postado por Pryscila, mulé.







Comments:
Olá Pryscila! :)

O mundo "pryscisa" de Mulheres assim como Você que é capaz de esfregar na cara dos homens e mulheres as verdades deste e outros temas.
Mas muito ainda precisa ser feito. Veja que a nossa mídia ainda dá tanta importância ao ritual da igreja, que é extremamente machista e mesmo nos tempo de hoje, continua achando isso certo :\
Mas nisso tudo, achei interessante uma entrevista de um cardeal... Ele dizia que se sente perseguido simplesmente por usar os trajes da igreja em virtude dos casos de pedofilia.
É engraçado porque durante anos a igreja perseguiu, condenou e matou mulheres acusadas de bruxaria muitas vezes apenas pelos seus trajes.

Viva a vocês, mulheres de verdade, que falam e pensam :)
 
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