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8.2.09

 

Dante, desenhos e o tédio.

Nunca consegui ler os livros primorosamente ilustrados. E "A Divina Comédia" é um desses livros nunca lidos por Pryscila. Dante Alighieri que me perdoe, mas Gustave Doré literalmente roubou a cena. Sou dragada dos textos pelos belos desenhos de Doré. Mas gostar de livro cheio de figurinhas e não conseguir ler nada, tem uma boa explicação: Além de cartunista, também sou ilustradora nas horas vagas (vide http://obrapryma.blogspot.com/). Isso quer dizer que tenho alvará para profissionalmente ler apenas as figurinhas de qualquer livro e ir ao cinema para assistir desenhos animados sem ter que levar o sobrinho como desculpa.
Desenho desde manual de cortador de grama até tatuagem tribal em bunda de macaco. E como tal profissional, creio que "A Divina Comédia" bem como o "Apocalipse - Novo Testamento" têm os textos mais "ilustráveis" (perdoe-me professor Pasquale) da história. Todo desenhista tarado tem vontade de traçar alguns trechos desses livros. Imagine detonar uma caneta Bic desenhando isso:
"...vimos no mais profundo do fosso, gente metida em cloaca tamanha que do mundo parecia a única latrina... percebi uma figura por tal forma coberta de imundícies que nem sequer consigo decidir se de leigo ou de padre se tratava."
Outro dia "ganhei" (leia-se: praticamente surrupiei) uma edição de "A Divina Comédia" ilustrada por um cartunista alemão chamado Michael Mathias Prechtl, cujos feitos incluem ser soldado da Segunda Guerra e prisioneiro na União Soviética por quatro anos. Prechtl ganhou projeção nos anos oitenta, quando ilustrou capas para o DER SPIEGEL, famoso jornal alemão de um milhão de exemplares por dia. Logo abaixo posto algumas ilustrações que Michael Mathias Prechtl fez para esta nova edição de "A Divina Comédia". Repare num detalhe de uma das técnicas que ele usa: ampliação de impressões digitais usadas para dar formato a rostos e corpos. Genial!
Atualmente, tenho percebido que a ilustração vem sendo nivelada por fabulosas (pero manjadas) técnicas que o Photoshop e alguns outros programas proporcionam. Isso tem gerado um efeito "enlatado" nas obras. Não sou contra o uso do computador para a execução de ilustrações, mesmo porque valho-me dele diariamente. Mas não nos matem de tédio, nobres colegas! Profissionais do traço (inclusos cartunistas aos cântaros!) têm que procurar meios de transferir A PRÓPRIA PERSONALIDADE para suas obras. Devem encontrar uma forma pessoal e única de, mesmo usando computador, criar novas técnicas de execução para seus trabalhos.
Você pode usar a mesma calça jeans que todos estão usando. Só que a maneira com que você rebola com a calça que todos estão usando, é o que vai te diferenciar de todo o resto. Saca? Hum... Bem, deixa para lá. Simplesmente rebolemos, nobres colegas!
Postado por Pryscila Vieira, diretamente de seu domingo entediante.
pryvieira@yahoo.com.br

Comments:
Minha querida, enlatados vendem mais fácil. Comida fina, como tua obra, demanda um paladar mais depurado.
 
grande nana!
bj
 
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